#41 - Como piorar uma má situação... Um exemplo de uma demissão cruel

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Eu entendo, que os Lay-offs são exercícios necessários nas empresas. Obviamente, por vezes são necessários, especialmente em climas económicos hostis como o que estamos a viver agora. Acredite em mim, eu entendo. Eu tenho o meu próprio negócio.

Teoricamente, os lay-offs são o resultado da economia das empresas… uma espécie de estratégia de “sobrevivência” para as empresas, a fim de permanecerem viáveis e de serem capazes de se manter à tona. Não devem ser tomados pessoalmente por parte do empregador ou do empregado infortunado. Mas, claro que encaramos estas coisas pessoalmente. Como poderíamos não o fazer? Afinal, todos nós somos criaturas emocionais (quer admitamos, quer não). Eu diria que é absolutamente saudável para ambos os lados (empregadores incluídos) permitir algum espaço para os sentimentos, desde que eles sejam expressos com respeito. Os empregadores sair-se-iam bem em serem compreensivos e focados no empregado quando demitem alguém.

Isto leva-me a um exemplo de um empregador que necessita de um curso intensivo de etiqueta de “lay-off”… e urgentemente. Na outra semana fiquei a saber que o empregador em questão (uma organização sem fins lucrativos) realizou alguns despedimentos. Francamente, fiquei chocada com a forma como as coisas foram tratadas. É uma vergonha quando uma organização sem fins lucrativos se comporta como uma empresa sem coração. Neste caso foram demissões maiores que tomaram lugar com várias gafes, entre as quais as seguintes:

  1. Os despedimentos ocorreram no 1º dia de regresso de férias, quando houve especulações ainda antes das férias começarem, de que poderiam acontecer. Obviamente que nada iria mudar nessas duas semanas, mas é uma tremenda falta de respeito perante todos os colaboradores potencialmente afectados. Quem pode realmente relaxar e desfrutar das suas férias quando não tem a certeza se vai ter o seu emprego quando regressar? Que vergonha para o presidente e para a direcção!

  2. Os colaboradores que foram demitidos foram convocados para uma reunião geral. Todos os seus colegas de trabalho foram chamados para a mesma reunião. Os dois colaboradores em questão foram chamados à parte em conjunto, foram-lhes entregues as cartas de despedimento e saíram antes de dar início à reunião geral. Nada como humilhar os empregados que foram demitidos, obrigando-os a encarar os seus colegas de trabalho no seu caminho para a rua. O que é isto? O que aconteceu à preservação da dignidade e profissionalismo dos funcionários demitidos? O presidente e os membros da direcção precisam de algumas lições sérias de etiqueta.

  3. Com base na falta de comunicação e total desrespeito pela moral dos funcionários ao longo dos últimos anos (pelo menos… já passaram alguns anos desde que o notei), não estou nem um pouco convencida da necessidade do despedimento deste dois colaboradores ou que venha, de facto, a beneficiar esta organização a longo prazo. Se tivesse havido mais comunicação entre empregador e empregados, outras opções poderiam certamente ter sido exploradas. Talvez pudessem ter criado outras atividades que beneficiassem outros segmentos da comunidade que supostamente deveriam servir. Duvido que o presidente ou a direção tenham pensado em alternativas. Esta é uma organização que precisa desesperadamente de soluções sustentáveis. Precisa de envolver os seus colaboradores ao invés de instalar entre eles o medo ou desrespeitá-los ao nem sequer considerar as suas opiniões enquanto especialistas.

Não estou a dizer que as demissões não eram necessárias. Poderão bem ter sido justificadas, mas sinto que não foram realizadas de forma correta e que outras soluções que poderiam possivelmente resultar nem sequer foram consideradas. Estas gafes só me fizeram sentir que esta associação precisa de um novo presidente e direção ( e DEPRESSA!) e que os restantes colaboradores precisam de se unir e começar a trabalhar em equipa de forma a fazer mudanças reais e viáveis que não só tornarão a associação mais forte e mais benéfica para a comunidade, como também tornarão os seus postos de trabalho mais seguros. Desejo-lhes a força de se unirem para fazer o que é necessário e justo. Os líderes precisam de encorajar as suas equipas a servir, não só a comunidade, mas também a própria equipa. Desta forma, mais facilmente os membros da equipa se sentirão inspirados e consequentemente, menos suscetíveis de serem demitidos.

Let’s open up our hearts.

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Comentários

  1. Suzana Joyce Chalupa

    obrigada por existirem pessoas com raciocínio lógico e suficientemente altruístas para conseguirem interpretar injustiças e faltas de “humanidade” que tantas vezes passam ao lado de tanta gente!
    parabéns pelo artigo e todo o meu apoio.

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