Publicado
Comentários Nenhum

O link a seguir mostra uma série de pequenos vídeos onde Jon Kabat-Zinn dá nove dicas de meditação que achei muito úteis.

find it here mrsmindfulness.com

Autor

Publicado
Comentários Nenhum

Embora não subscreva uma religião em particular, a citação acima ressoa profundamente em mim. Poder-se-ia facilmente substituir a palavra Deus se se fosse tão tendencioso com muitas outras palavras ou frases que também evocam uma noção similar de inteireza ou semelhante conectividade. A newsletter de hoje centra-se numa pequena parte da minha jornada, no sentido de estar mais presente na minha vida quotidiana.

Depois de um longa pausa na escrita da newsletter mensal da LU, estou feliz por dizer que estou de volta ao teclado. Finalmente. A realidade é que eu poderia ter continuado a escrevê-la durante a minha luta contra um carcinoma papilar na tireóide, mas eu não quis. Bem, de facto, escrevi e publiquei a edição nº47 em Junho. Tinha planeado continuar a partir daí, mas achei que apesar de ter ideias para escrever, não tinha o foco necessário para a escrever assim como escrever outro conteúdo necessário para cada edição mensal. Fiz uma escolha consciente sem me deixar desgastar muito com isso.Tendo apenas falhado um mês de quarenta e oito possíveis até este ponto, decidi que realmente merecia uma pausa para cuidar de mim. E foi exatamente o que fiz.

Apesar de ter um cancro com um dos melhores prognósticos (mais do que uma pessoa me disse que se eu tivesse de ter um cancro, este seria o “melhor” para ter), quando tomei conhecimento do diagnóstico fiquei muito assustada. Tinha acabado de começar uma nova aventura na minha vida e tinha trabalhado arduamente para fazer aquela transição. Tinha acabado de voltar a Nova Iorque depois de viver em Portugal cerca de 14 anos e a minha família iria acompanhar-me de seguida. Tinha sido aceite num programa rigoroso e competitivo para encontrar potenciais professores para trabalhar no sistema de escolas públicas de Nova Iorque em zonas de maiores necessidades. Estava para iniciar uma nova profissão – professora de educação especial. Fui uma das potenciais professoras com sorte mas não tinha noção do vasto trabalho envolvido à priori em ter sido aceite. Nessa altura estava pronta para ir no início de Maio, estava muito stressada, excitada, com excesso de cansaço, e assustada, mas feliz. A menos de uma semana da minha chegada a NI, a minha esposa liga-me com o diagnóstico. BOOM! TENS UM CANCRO!

O meu mundo desarticulou-se debaixo de mim. Senti-me assustada mas também senti uma súbita sensação de alívio. De repente, tudo o que me preocupava cessou. Somente assim. Desapareceu o stress e a preocupação avassaladores que vieram com o processo de certificação do Estado de N.I. Desapareceu a apreensão e o stress da procura de trabalho frenética que se aproximava. Desapareceu a ansiedade louca das semanas anteriores, em torno do que iria ser, pelo que o próprio programa considera, a formação “bootcamp” para os seus novos recrutas. De repente todo o stress e ansiedade desapareceram. Claro que verti algumas lágrimas, estava assustada com a minha saúde e dececionada com os meus planos que de repente ficaram “virados do avesso”. Sabia que tinha de voltar a Portugal para lidar com meu problema de saúde. Ainda a verter lágrimas, imediatamente dirigi-me a um dos organizadores do programa a solicitar um deferimento para a próxima edição com início no verão de 2016. Acredito vivamente que as lágrimas podem ter um poder verdadeiramente transformador. Habitualmente as pessoas respondem bem a alguém abertamente vulnerável . Escusado será dizer que requeri o meu adiamento.

Referi que o meu mundo se desarticulou e realmente isso aconteceu. Esse alívio repentino e verdadeiramente maravilhoso trouxe-me um discernimento igualmente maravilhoso. Lembro-me de ponderar como era estranho sentir aquele alívio quando subitamente me encontrava num mundo não só de incógnitos mas também de incógnitos assustadores. Apesar de ser o “melhor” cancro para se ter, afinal de contas ainda estava a enfrentar um cancro. Depois de refletir um pouco percebi que o meu alívio veio de perceber que no geral, grande parte de tudo aquilo que me preocupava realmente não importava muito. Tudo aquilo que parecia ser tão vital, perfeitamemente se deslocou para uma posição menos importante. Esse conhecimento trouxe-me uma grande sensação de paz interior. Também trouxe gratidão por aquilo que realmente é importante…o quotidiano, as simples maravilhas ao meu redor.

Senti-me grata por estar viva, por ter uma família afável e solidária, por saber que posso contar com os meus amigos e simplesmente por apenas ser parte desta energia fantástica e conectiva de que TODOS fazemos parte (exceto, talvez, Donald Trump!).

Tanto a paz interior como a gratidão inicial me acompanharam durante o suplício do cancro e não as prevejo ir para outro lugar. Agora permito-me fazer mais fazendo menos, simplesmente valorizando estar presente , aproveitando os momentos simples. Mesmo quando tenho mais coisas para fazer, estou a aprender que se estiver mais consciente em cada momento tudo acaba por acontecer como deveria. Claro que , isso não significa que não tenha expectativas ou que abri mão dos meus planos. Só melhorei a não deixar que os minhas expectativas e os meus planos me ceguem a presença no aqui e no agora.

Hoje sinto-me mais forte e mais saudável como já não me sentia hà anos. Comecei recentemente a meditar e a praticar yoga como parte da minha rotina diária. Levanto-me mais cedo para o poder fazer, mas vale a pena. Pessoalmente, tem sido muito útil estar presente e cultivar o estar no presente para que possa realmente apreciar o Aqui e o Agora.

Obviamente que não recomendo um cancro a ninguém, mas devo dizer que aprendi muito com esta experiência. O grande C tem sido um bom professor, um catalisador que me acordou para a vida. Contudo, um dos dons que o cancro me deu, foi o maravilhoso lembrete diário – o dom de estar mais presente, mais aberta e mais grata. Como uma pessoa anónima escreveu uma vez “cicatrizes são tatuagens com histórias melhores.” Eu uso a minha cicatriz com orgulho e reverência.

Courtney How

Autor

← mais velho mais recente →