#47 - Continua e continua…

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Franklin D. Roosevelt disse estas palavras ao avaliar os objetivos dos seus programas sociais e económicos NEW DEAL nos E.U.A.. A maioria de nós concordaria, tanto nos E.U.A. como aqui em Portugal, que temos tido algum sucesso, pelo menos a nível social, na procura por uma sociedade mais inclusiva para todos. Muitos argumentariam que o principal já foi feito. A discriminação pela raça, género ou orientação sexual é geralmente desaprovada pela sociedade. Isto é bom. No entanto, ainda estamos bastante longe de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Embora tenham realmente sido feitos alguns esforços desde que FDR declarou que ninguém seria deixado de fora, sinto-me desanimada por as coisas não terem evoluído mais, basicamente a todos os níveis. Ainda mais preocupante é a atitude comum de pessoas que professam tendências liberais de que a luta está acabada, ou pelo menos muito perto disso.

Basta olharmos à nossa volta para percebermos que ainda muito precisa de ser feito em termos de educação, defesa, hábitos de voto, etc. Todos nós devemos ser responsabilizados. As pessoas bem-intencionadas que pensam que já percorremos um longo caminho têm de acordar e tomar atenção, porque é ponto assente que a maioria destas questões de liberdades civis ainda não estão devidamente resolvidas.

Estas questões continuam a surgir. A não-inclusão continua e continua…

Ainda no outro dia, na festa de graduação numa escola secundária na Carolina do Norte, um pastor “teve de” dizer aos alunos que se fossem gays estariam condenados ao inferno. Imaginem o sofrimento sentido pelos alunos que o são ou que conhecem e gostam de alguém que o seja ao ouvir tais palavras tão odiosas. Imaginem até que ponto um jovem gay, ainda a lutar com a sua própria identidade, não poderá sentir-se atormentado pela dúvida ou auto-aversão. Não é de admirar que os jovens gay sejam considerados num grupo de elevado risco de suicídio.

E continua e continua…

Também na Carolina do Norte, uma professora de 3º ano recebeu um misto de elogios e críticas por ler “King and King” na sua aula após um dos alunos ter sido vítima de bulling. A Professora utilizou-o como um exemplo de conto de fadas “fracturado”. A diferença neste caso é que o Rei se casa com outro Rei, o que é uma poderosa ferramenta educacional, transmitindo uma mensagem social muito importante. Infelizmente, alguns pais queixaram-se e o resultado é que agora todos os professores têm de informar os pais dos alunos cada vez que querem ler um livro. Potencialmente, as criticas terão resultado numa inclusividade reduzida naquela escola. Porque é que as relações e estruturas familiares não devem ser devidamente exploradas na escola em idade jovem? Na verdade, porque é que não há mais livros em todas as salas do pré-escolar sobre a diversidade? O argumento de que “a minha filha ficou chocada” deveria fazer os pais abraçar a tal inclusão, não esperar pela bizarra noção do “momento certo”. O “momento certo” já passou há muito tempo.

E continua e continua…

Legisladores no Alabama (lembrem-me de nunca me mudar para lá) passaram um projeto-lei no Senado Estadual que, na sua essência, aboliria completamente a emissão de licenças de casamento do estado. Os casais teriam de apresentar um contrato com o estado a dizer que estariam legalmente autorizados a casar. Isto é, claramente, uma tentativa de impedir o casamento entre casais do mesmo sexo, mesmo que o Tribunal Supremo o autorize.

E continua e continua…

Bem, poderia continuar por ai fora. No entanto, esta retórica já está a ficar um bocado inebriante, mesmo para mim. Inebriante o suficiente para desencadear todas as minhas queixas contra a sociedade de uma só vez, acho que seria demais para apenas um artigo desta newsletter. Assim, decidi continuar o assunto nas próximas duas edições, desta vez com o foco virado para outros pontos igualmente importantes e também relacionados com as liberdades civis.

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