#46 - Somos Humanos

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Recentemente eu e a minha filha vínhamos no carro a ouvir uma música cantada por uma voz masculina em que a certa altura ele dizia: “De bandolete, à espera do sete, mas não da viagem…” E diz a minha filha:

- “Um rapaz de bandolete??”

E eu respondi:

- “E porque não?? Provavelmente tem os cabelos compridos ou gosta de se embelezar, assim como tu gostas de usar brincos por exemplo.”

- “Eu nunca vi.”

Ao que eu lhe respondi:

- “Tens 6 anos, ainda vais ver muita coisa na tua vida, que não viste até agora.”

E assim se arrumou o assunto. Mas de facto a atenção para o que era diferente estava lá. Eu poderia ter respondido de uma forma pejorativa e se fosse esse o caso a minha filha teria ficado com uma conotação negativa dos rapazes que gostam e querem usar uma bandolete.

O preconceito quando alimentado pode ferir muitos corações, especialmente quando lhes estão inerentes questões vitais que amedrontam os direitos das pessoas. Em pleno séc. XXI ainda temos muito a percorrer na luta contra o PRECONCEITO.

O artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem diz:

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. ”

Será uma ilusão? Existe um distanciamento enorme entre este artigo e a realidade actual.

Porque é que os rapazes não podem brincar com bonecas? Porque é que duas mulheres ou dois homens não se podem casar e formar uma família em todo o lado? Porque é que há homens a matar mulheres por acharem que são donos delas? Porque é que as pessoas com deficiência mental não podem ter uma vida como qualquer outro cidadão? Porque é que um homem não pode vestir vestidos e colocar uma bandolete? Porque é que a cor da pele ainda pode ser um factor discriminatório? Porque é que empregar uma mulher pode ser uma forma de pagar um salário inferior?

Por que ainda há tantos usos e costumes profundamente baseados em preconceitos que estão tão longe da dignidade humana? Xenofobia, racismo, homofobia, transfobia, etc, questões que todos os dias nos interpelam pelas piores razões.

Jonh Welwood explica no seu livro “Perfect Love, Imperfect Relationships Healing the Wound of the Heart”que uma das grandes feridas no mundo é o facto de sentirmos que não somos amados tal como somos, e que este problema pode conduzir a uma série de muitos outros.

O que podemos então fazer para melhorar o nosso mundo, a nossa vida e a de quem nos rodeia?? Segundo Welwood tratar das feridas nos nossos corações de forma a que possamos amar e ser amados.

Parece ser uma ideia muito iluminada e bonita, ou seja, podemos mudar o mundo todo dentro de cada um de nós. E depois: “..agir uns para com os outros em espírito de fraternidade“ e finalmente pôr em prática o artigo nº1.

Esquecemos que antes do nosso nome, daquilo que fazemos, do que pretendemos, do que acreditamos, somos Humanos. O pensamento do movimento “Love has no Labels” ilustra bem o que pretendo transmitir:

“Antes de qualquer coisa, somos todos humanos.
Está na altura de abraçar a diversidade.
Vamos colocar os rótulos de lado em nome do amor.”
.

Veja o video em baixo, vale a pena :)

Por Claudia Branco (colaboradora da equipa da LU)


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