#44 - Caminhado Fora de Nós Para Sermos Nós Mesmos

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“Talvez eu não seja um ser humano que tem consciência.
Mas talvez seja a consciência que é moldada pelo ser humano.”

- Jeff Lieberman

A dica ESL deste mês refere-se a estratégias para ajudar os alunos a lembrarem-se quando devem ou não usar os artigos. Lembram-se dos artigos, certo? The, A, or An… três pequenas palavras em que o único objetivo é diferenciar algo de um todo, quer seja de uma maneira específica, definida (The = um artigo definido) ou se algo é separado de uma forma mais geral (A / An = artigos indefinidos). Como uma ferramenta de comunicação, estes artigos são úteis para transmitir os nossos pensamentos, ideias e opiniões. São apenas uma pequena representação na área da linguagem e da comunicação que nós seres humanos usamos para criar uma noção ilusória de que somos entidades separadas ao invés de apenas parte de um todo.

Recentemente vi uma TED talk, pelo artista, cientista e engenheiro formado no MIT, Jeff Lieberman. Nela, ele partilha as suas ideias sobre a origem e a natureza dos seres humanos. Ele fala sobre como nós simplesmente não somos uma única entidade física, mas somos compostos por uma comunidade de trilhões de células que são, por sua vez, compostas por trilhões de átomos. Lieberman alega que os átomos que compõem o nosso corpo são compostos de energia e que vem de uma única fonte – a única fonte de energia indiferenciada. O Universo inteiro, incluindo-nos a nós, veio desta única fonte e partilham esta energia em comum.

Na verdade, isto não é uma novidade. É baseado na ciência. No entanto, o que é interessante sobre o seu discurso é que faz um argumento científico para o que comummente pensamos como experiências místicas. E faz isso de uma forma fácil de compreender, tanto para aqueles que dependem fortemente de explicações científicas, bem como para aqueles que nunca se tenham saído muito bem na área da ciência. Eu pertenço ao último grupo.

Um dos aspectos mais maravilhosos e igualmente mais perturbador acerca de nós, seres humanos, é que as nossas mentes são máquinas ‘geradoras de pensamento’.É maravilhoso, porque assim como Lieberman ressalta, temos ‘a ferramenta evolutiva mais vantajosa do universo inteiro exatamente na(s) nossa(s) cabeça(s).’Com esta ferramenta, podemos prever o futuro e criar realidades alternativas. O problema desta ferramenta é que perdemos a capacidade de reconhecer que somos realmente apenas energia (como se isso não fosse suficiente). ‘A razão pela qual nós não nos apercebemos disso é porque estamos tão distraídos com os níveis humanos das nossas experiências que deixamos de perceber o que está na sua base.’ (Lieberman). De acordo com Lieberman, essas mesmas as distrações são a fonte do nosso sofrimento. Ciúme, arrependimento e ansiedade estão enraizados na nossa compulsão para gerar realidades alternativas.

O ponto de vista de Lieberman faz, intuitivamente, muito sentido para mim. No entanto, acho que o caminho para mudar a perspetiva de cada pessoa, para rejubilar no facto de que somos apenas e tão lindamente energia indiferenciada e que tudo e todos são uma parte dessa mesma fonte de energia, é um pensamento muito desafiador. A nossa necessidade de nos diferenciarmos dos outros manifesta-se em todas as áreas e nós criámos um grande número de ferramentas, a fim de nos mantermos separados da realidade. A linguagem não é claramente uma exceção como constatado com os nossos “queridos” artigos.

Continuarei a usar artigos porque a língua é uma ferramenta com a qual podemos comunicar e pode também ser usada, independentemente das suas qualidades limitativas, para nos aproximar a nós humanos de aceitar a nossa verdadeira natureza. Então vou continuar a ensinar quando se deve ou não usá-los. Contudo, o meu desafio para o ano novo vai ser tentar estar, pelo menos, consciente de que todas as minhas previsões futuras e os meus arrependimentos passados são apenas realidades alternativas que a minha mente criou e que, o que é mesmo real, é que sou apenas uma parte dessa energia pura, que por si só é lindíssima… A minha resolução é reduzir o meu sofrimento desnecessário e abraçar a vida tal como ela é.

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