#42 - NENHUMA DAS OPÇÕES ANTERIORES...

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“A abstenção significa que você ficou em casa ou foi à praia. Ao colocar um voto em branco, você está a dizer que tem uma consciência política mas que não concorda com nenhum dos partidos existentes. – José Saramago


Enquanto cirandava pelo Facebook, há um par de meses atrás, deparei-me com um link que um amigo tinha postado. Era simplesmente uma lista de verificação que se seguia à frase “Se o voto não mudasse nada, Nós ainda tínhamos…” A lista incluía todas as coisas que supostamente não teriam mudado se o público não tivesse votado desde Os Direitos das mulheres, ao direito à Segurança Social. Ao primeiro ao olhar até gostei. A lista contemplava uma série de questões que me apaixonam. Contudo, depois de pensar um pouco, gostei um pouco menos. E explico porquê.

Estou farta e cansada de escolher entre “o menor de dois males”. Eu adoraria ter a oportunidade e sinto que tenho o direito de votar num candidato com quem eu realmente concorde em quase todas as questões que são importantes para mim.

Tudo bem … eu admito. Abstive-me de votar na última eleição presidencial nos Estados Unidos. Na verdade lembro-me de escrever sobre a minha dificuldade em decidir se iria votar ou não há muitas newsletters atrás, num artigo intitulado: “O que fazer?” Bem, foi isto que fiz: tomei a difícil e consciente decisão de me abster. Se todos os Estados (ou pelo menos o meu estado) oferecesse uma opção de voto “Nenhuma das opções anteriores” (NOTA – None Of The Above), eu teria votado… em nenhum dos candidatos!

Em Portugal e muitos outros países por todo o mundo, existe este tipo de opção (o voto “em branco”). No caso de Portugal, é apenas simbólico de desaprovação dos candidatos pelo eleitor. Nos EUA, só o Estado de Nevada tem essa opção, também apenas simbólico.

Não seria interessante se a opção de Voto em Branco fosse mais que “as migalhas de pão” que simboliza… Se uma votação maioritária em branco causasse automaticamente novas eleições com novos candidatos? Uau… que conceito! Não sei muito sobre política, mas parece-me que seria um real poder para o eleitor.

Quanto ao post no facebook, consigo na verdade ver o cerne da questão. Votar é importante. No entanto, penso que muitas das questões ai listadas (direitos civis e das mulheres, direito à segurança social, etc) surgiram mais através do trabalho árduo de ativistas e sindicalistas do que em votar. Os resultados negativos provocados pelas deficiências dos nossos sistemas de voto “democráticos” aumentaria se não tivéssemos o ativismo em torno destas questões. Votar ajuda e é necessário mas não nos podemos esquecer que o ativismo ainda é a base da mudança. Está na altura de começar um movimento para não só incluir a opção NOTA em ambas as eleições estatais e federais nos EUA, mas também dar-lhe o devido valor permitindo que uma maioria NOTA possa despoletar novas eleições. Isso sim seria governar por, de e pelo povo!

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