#40 - O Melhor Amigo do Homem

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“Sou a favor dos direitos dos animais, bem como dos direitos humanos.
Esse é o caminho de um ser humano completo.”
Abraham Lincoln


Qualquer pessoa que me conheça minimamente sabe que eu adoro de cães. Na verdade, adoro animais em geral, como se pode ver pela mistura variada de três cães, dois gatos e duas galinhas que temos em casa. Consideramos cada animal um membro da família – cada um com um nome e uma personalidade – contribuindo para a nossa felicidade geral de várias maneiras; seja por nos dar aquele ovo para fritar ou aquele empurrãozinho extra para fazer um pouco de exercício, ou apenas pela satisfação de ver o quão felizes estes amigos com pêlos ou penas ficam com apenas um pouco de mimo. Essas coisas dão-nos bastante alegria, tanto a mim como à minha esposa e à minha filha. Não é isso que é a vida?

A minha família e eu somos na realidade conhecidos pelos nossos animais de estimação. Recentemente, no meu casamento, o meu padrinho começou o brinde dizendo que conhecer-nos (ou seja, minha esposa e eu) era conhecer os nossos animais e que ele nos conheceu através de um dos nossos cães. Por aqui vocês podem ver o quanto essas criaturas peludas, com penas e antes com guelras nos deram… incluindo amigos queridos. Então, por favor, não se riam quando digo que, sim – eu tentei algumas técnicas de ressuscitação que encontrei on-line para salvar um dos peixinhos que tivémos. Infelizmente ela partiu, apesar de minhas tentativas … espero que para um lugar melhor.

Embora sempre tenha gostado de animais, não tenho a pretensão de ter sido sempre o mais responsável dos donos. Obviamente a maturidade tornou-me uma melhor dona. Estou muito melhor com o sair com os cães mais regular e consistentemente e por uma quantidade adequada de tempo, estou mais preocupada com o que comem e o equilíbrio entre os biscoitos e as suas necessidades a nível de saúde. No entanto, apesar de todos os defeitos que possa ter tido ou quede facto, ainda tenha, sempre tratei os meus animaisde uma forma humana. Na verdade, a minha maturidade é apenas um dos factores que melhorou a minha capacidade de cuidar adequadamente dos meus animais. O maior contributo para que eu considere ser uma boa dona, tem a ver com a tristeza e que senti ao ver como os animais de estimação (os cães, em particular) eram tratados aqui em Portugal quando eu para cá vim há quase 14 anos. Não mudou muito.

Na altura, porém, fiquei realmente chocada ao ver os cães que passavam vidas inteiras presos a uma coleira ou corrente à frente ou no quintal das casas, no campo… áreas onde poderiam e deveriam ter muito espaço para se mexer. Fiquei chocada ao ver os cães serem abandonados no final da época de caça e durante as férias de verão, quando os proprietários ou não precisavam ou não queriam os cães. Não querendo pagar uma despesa extra para embarcar com um cão ou perder tempo em encontrar alguém que cuidasse dele, muitos proprietários simplesmente preferiam abandonar os seus animais quando chegavam as férias. Infelizmente, muitos ainda o fazem. Uma ex-aluna disse-me uma vez que o namorado tinha trabalhado para a segurança da ponte em Lisboa, e que eu ficaria surpreendida com a quantidade de casos em que os animais eram simplesmente atirados das pontes enquanto as famílias iam a caminho do Algarve para as suas férias de praia.

Como já referi, não mudou muito desde que eu cá vivo, especialmente em termos da mentalidade das pessoas em geral em relação aos seus animais de estimação. Há ainda uma abundância de cães abandonados e muitos continuam a viver suas vidas presos a uma corrente. Mas tenho a minha esperança renovada: no passado dia 25 de julho, o Parlamento aprovou um projeto de lei proposto pela primeira vez em Dezembro passado pelo PSD, que fará dos maus-tratos e / ou abandono de animais de estimação um crime que será incluído no Código Penal Português. Tais crimes serão agora puníveis com multas pesadas ou penas de prisão. O facto apenas de que este projeto de lei tenha sido proposto e tenha passado como lei certamente será indicativo de uma mudança de mentalidade. É claro que tudo se vai resumir a se a lei vai realmente ser aplicada ou não. Embora esperançosa, estou desconfiada, com tantas leis aqui que são simplesmente ignoradas ou se tornam extremamente difíceis de implementar com sucesso. Espero realmente que a lei seja levada a sério e que resulte em iniciativas educacionais que moldem a opinião pública para o melhor. Como Kant escreveu de forma tão eloquente … “Podemos julgar o coração de um homem pela forma como trata os animais.

Vamos abrir nossos corações.

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