#39 - O Amor abanou o meu coração

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“O Amor abanou o meu coração
Como o vento na montanha
correndo sobre os carvalhos” –

- Saphoo


Vou-me casar em Julho! Yay! É simultaneamente uma altura muito emocionante e stressante. Emocionante porque, afinal de contas, o que não é interessante numa cerimônia que honra e valida um relacionamento e o compromisso de manter e nutrir o amor entre duas pessoas? Stressante porque, afinal, o que não é stressante na organização de tal evento? Isto é especialmente verdadeiro se cresceram a sonhar com contos de fadas e princesas e querem trazer um pouco de alegria pura àquela menina dentro de vós que tem mantido acesa, há mais de quarenta anos, a tocha do “felizes para sempre”.

No entanto, a verdade da questão é que eu já sou casada, a minha parceira e eu casámos em julho de 2013. Foi uma cerimónia civil, com uma pequena boda depois. Eu sabia que na altura isso não iria satisfazer plenamente a minha necessidade de celebrar a nossa união, mas era o possível. A minha parceira (a minha esposa!), a contragosto, concordou em termos algo maior, um casamento mais do tipo “casamento” no ano seguinte. Há muito tempo que a menina interior dela se virou para outras metas igualmente importantes que não incluíam um “verdadeiro” casamento. Mas não importa… estamos a fazê-lo! Para que fique registado, ela está completamente de acordo!

E aqui estamos nós, no ano seguinte! E aqui estou eu, pensando no que significa realmente para mim o casar e o celebrar este casamento. É claramente mais do que apenas a minha menina interior a querer ser a princesa (e também, em abono da verdade… o cavaleiro de armadura brilhante :) ). Sendo uma mulher a casar com outra mulher, penso que o casamento e a celebração têm um particular significado, e vão bem para além de nós duas. É simbólico de todo o trabalho árduo que a comunidade LGBT tem vindo a fazer nos EUA, Portugal e tantos outros países há já muito tempo. O caminho para a igualdade tem sido longo e árduo, e continua a sê-lo. No entanto, estamos a fazer progressos e estou orgulhosa e honrada de fazer parte desse progresso.

O meu casamento é uma pequena representação do que deveria ser considerado normal em qualquer lado… as pessoas a unirem-se para partilharem as suas vidas juntas, vivendo, aprendendo e amando lado a lado. Para mim isso é, obviamente, um direito humano básico (seja dado por Deus ou não) e eu não estou a dizer isso apenas por ser lésbica (vou guardar as minhas opiniões de disforia de gênero por mais um mês! Pela minha vida, não percebo porque é que ainda há tanto debate sobre estas questões. Na verdade, porque é que são sequer questões?

Isto torna-se simplesmente naquilo que eu gosto de chamar o síndrome do “anti-ser diferente de mim”. Infelizmente, demasiadas pessoas ainda sofrem desta condição tão limitada e egocêntrica! Ainda há tanta conversa nos EUA (vocês sabem, a terra da liberdade!!!) sobre como a legalização do casamento gay altera de alguma forma a noção de casamento para o pior. As pessoas jogam em torno da palavra “tradição” sem ter qualquer conceito real do que a “tradição” do casamento foi realmente – uma tradição de longa data de um acordo de negócios entre as pessoas cujas partes do corpo são compatíveis para reprodução. Eu acho que se refletirmos realmente sobre isso, a maioria concordará que o casamento mudou para melhor ao longo dos anos. Por exemplo, muitas vezes tomamos o amor e outros sentimentos em consideração e menos culturas esperam agora uma troca de bens como recompensa para a união. Por que não deveriam as uniões gay de fazer parte dessa mudança na tradição para algo mais amoroso e bonito do que apenas outra transação comercial?

Depois há também, claro, o argumento de que permitir o casamento entre elementos do mesmo sexo iria destruir de alguma forma a tradição da monogamia e da família. Com cerca de 50% dos casamentos a aca bar em divórcio nos EUA, acho difícil ver esse lado da questão.

Os opositores recusam-se normalmente a ouvir qualquer argumento que apoie o casamento gay. Eles não terão nada disso. Estão demasiado ocupados a julgar as pessoas pelas suas diferenças, em vez de aprender a amar e aceitar mais cada ser humano. Bem, eu pelo menos estou ocupada demais para me preocupar com esses opositores este mês. Afinal, o amor abanou o meu coração! Eu vou-me casar!

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