#38 - Ei Pessoal… Deixem esta Professora em Paz! - As confissões de uma Aprendiz de Línguas em Esforço

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“Eu não falhei, apenas encontrei 10,000 formas que não funcionam” –

- Thomas Edison


A minha intenção sempre foi a de, eventualmente, tornar-me fluente em Português. Honestamente! Tem sido um objectivo para mim há muito tempo… desde que cheguei ao aeroporto de Lisboa pela primeira vez, em 2001. Tenho-me dado a mim própria muitos prazos mentais para atingir esse objetivo. Contudo, hoje sento-me a escrever tristemente a minha confissão, nenhum dos meus muitos prazos foram cumpridos. Mais frequentemente do que desejaria, continuo sem ser capaz de acompanhar uma conversa simples em Português.

Costumo tentar minimizar a minha incapacidade de atingir um nível decente de Português. A razão mais óbvia é porque eu própria ensino uma língua. Dou por mim constantemente a dizer aos meus alunos que seria prejudicial se eu falasse com eles em Português, em vez de Inglês, mesmo quando estamos fora da aula como por exemplo a tomar um café, etc. Embora fosse realmente prejudicial, a razão mais profunda por trás da minha inflexibilidade está mergulhada naquilo que entendo como o meu falhanço pessoal para ‘praticar o que prego’.

Outra razão pela qual desenfatizo a minha dificuldade em aprender a língua, é que isso levanta uma série de outros problemas inter-relacionados que acho difícil de explicar, principalmente devido à generalizada falta de compreensão das pessoas acerca do tema das dificuldades de aprendizagem. Muitas vezes tive pessoas (a maioria com boas intenções), a descartar as minhas reivindicações de ter alguns desafios extras quando se trata de aprender certas coisas ou banalizá-las de tal forma que comecei a sentir-me tola por mencioná-lo. Mas o facto é que tenho problemas de processamento tanto visual como auditivo, e isso tem afectado a minha capacidade para aprender línguas estrangeiras (entre outras coisas).

Quando se trata de aprender línguas, os problemas de processamento auditivo são os mais desafiadores para mim. Já tenho boas estratégias para superar os problemas visuais, mas não é assim com os problemas auditivos. Não é realmente aquilo que ouço, mas o que o meu cérebro faz com o que eu ouço, isto é, no momento em que tenho as coisas resolvidas na minha cabeça, provavelmente a conversa já acabou. Talvez esteja a pensar que essa demora é perfeitamente normal. Alguma demora é de facto normal mas isto tem que ver com o grau da demora, que no meu caso é um pouco exagerado. Há momentos (mais frequentes do que eu gostaria de admitir), em que ouço o que a pessoa está dizer (tanto como em Inglês), mas faço pouca ou nenhuma ideia do que eles estão realmente a dizer. As palavras tornam-se apenas palavras, sem qualquer tipo de significado aparente.

Para aqueles que neste momento estão a pensar que as dificuldades de aprendizagem não me deveriam impedir de aprender Português, especialmente vivendo há tanto tempo em Portugal… estão absolutamente correctos! Não devia, mas deveria ser considerado tanto quando me julgam sobre o assunto, como no contexto de outras várias questões que são obstáculos para alcançar o meu objetivo da fluência. Estas questões relacionam-se com a vida do dia-a-dia; no meu caso, inclui um horário alucinante onde falo predominantemente Inglês (dou aulas 6 dias por semana terminando muitas vezes às 20h, 21h ou 22h), ter e gerir uma escola (não é “pêra doce” no ambiente económico atual), e tentar simultaneamente ser uma mãe e esposa presente.

Provavelmente perguntam porque não pratico Português em casa? Estão correctos outra vez, eu devia. Contudo, como mencionei anteriormente, estes obstáculos estão inter-relacionados. Quando tenho algum tempo em casa, habitualmente estou exausta e torna-se dificil utilizar estratégias que me ajudem a ultrapassar algumas das questões do processamento auditivo. A minha capacidade de concentração fica ainda mais comprometida, é realmente um ciclo vicioso.

O meu objectivo aqui não é desculpar-me de ainda não falar Português mas sim fazer uma introspecção da minha luta pessoal na aprendizagem de outras línguas. Pode parecer desculpas para alguns, mas acho que os obstáculos que enfrento na aprendizagem do Português são bastante válidas. Dito isto… o meu objetivo não mudou – vou aprender Português. Com a chegada da minha filha à minha família e tendo encontrado uma professora que tem a possibilidade de me dar aulas ao sábado e ao domingo, comecei a ver algumas melhorias constantes (ainda que lentas) na maioria das competências relacionadas com a aprendizagem da língua.

Agora só me resta melhorar a minha confiança, não permitindo que a negatividade e/ou o julgamento dos outros me impeçam de atingir os meus objectivos. Esta é uma mensagem para todos aqueles que foram rápidos a julgarem-me…

Ei Pessoal…Deixem esta Professora em Paz!

E lembrem-se tal como o Charles Schwab disse uma vez…

“Ninguém é bom em tudo. Vantagens e desvantagens vêm de variadas formas.”

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