#37 - A SUA BELEZA, A SUA HISTÓRIA

Publicado
Comentários Nenhum

““E a beleza de uma mulher, com o passar dos anos apenas cresce!”

- Audrey Hepburn

Dando seguimento ao editorial do mês passado acerca do longo caminho a percorrer na busca da igualdade de género, pensei ser um bom momento para agora explorar questões relacionadas com a mulher e auto-imagem de raparigas, mais especificamente a imagem corporal.

Não há muito tempo atrás, li um artigo sobre uma mulher que alegou amar envelhecer. Na verdade ela adorava! Ela acreditava que cada ruga tinha a sua própria história. Eram, de fato, condecorações – uma forma simbólica de carregar a sua própria história. Adorei a ideia em si mesma, depois de ler o pequeno texto, os meus próprios ‘demónios anti-envelhecimento’ que carregava pareciam agora desaparecer…ou pelo menos diminuir substancialmente. Deu-me uma nova perspectiva, ajudou-me a sentir bem com o cabelo grisalho, com a subtileza da flacidez da pele, e com a mudança de sobrancelhas suaves para sobrancelhas vigorosas.

Bem…talvez não, relativamente às sobrancelhas vigorosas.

O fato é que teoricamente sempre acreditei ser perfeitamente natural aceitar o envelhecimento e as mudanças físicas que o acompanhavam, mas em termos práticos, nunca o tinha experienciado. Sempre que dou atenção às mudanças naturais do meu rosto, um sentimento de auto-aversão surge e eu acho que me estaria a julgar por estar a envelhecer – algo que todos nós devemos ter a sorte de ser capazes de fazer. O artigo ajudou-me a acreditar verdadeiramente na ideia de que envelhecer é realmente um dom precioso e maravilhoso.

É um presente que não deve ser desperdiçado devido à insegurança e auto-aversão, que resulta predominantemente da nossa cultura de híper-escrutinar os atributos físicos das mulheres e da valorização de uma imagem corporal irrealista que raparigas e mulheres são empurradas a atingir. A Mulher precisa de dar um passo em frente e dizer basta, porque de fato…já chega!

Nós (raparigas e mulheres) temos de perceber que estamos a ser julgadas de forma injusta, cruel e definitivamente desigual com os nossos homólogos do sexo masculino. Por que é que quando os homens começam a envelhecer, são considerados distintos e ainda muito no seu auge (mesmo quando carregam uma barriga considerável), enquanto às mulheres se considera que já passaram o seu auge, muitas vezes, não é digno de respeito? E Deus as livre se elas também têm uma barriga considerável. De seguida, são simplesmente designadas para o triste lote de mulheres que se desleixaram, para nunca se esperar que encontrem felicidade ou amor novamente (e Deus as livre!) se já não o encontraram. Simplificando…as mulheres são postas a pastar muito mais cedo do que os homens. Por que deveria isso acontecer? A resposta para isso é que – não deveria acontecer!

A única maneira de as coisas mudarem é se a mudança vier de nós (mulheres e raparigas). Mudar as conotações negativas que são atribuídas a determinadas palavras. Velho é o oposto de jovem ou novo, só isso. Não é nem melhor nem pior do que jovem ou novo. E…se quisermos atribuir outra conotação à palavra velho, que tal bonito, digno ou sábio? Que tal parar de dizer coisas tais como ‘ela é bonita para sua idade “ou” ela devia ter sido bonita quando era jovem “, porque a verdade da questão é que ELA AINDA É BONITA?!

As mulheres tornam-se muito facilmente não só as vítimas deste duplo padrão brutal, mas também as autoras da sua perpetuação. Muitas vezes, são as palavras e atitudes que vêm de outras raparigas e mulheres que são o nosso pior inimigo. Precisamos de abrir as nossas mentes para aceitar e abraçar as variadas formas, tamanhos e idades que atravessamos. É muito importante, ajudar a moldar as mentes das nossas crianças (rapazes e raparigas) para fazer exatamente isso. E sim…é vital envolver rapazes e homens nesta luta. Se não os tivermos como nossos aliados, então a mudança nunca vai acontecer. Tal como Susan Sontag escreveu no seu artigo intitulado ‘O duplo padrão do envelhecimento’…

‘O sistema da desigualdade é operado por homens, mas não poderia funcionar se as próprias mulheres não o consentissem.’

Então, vamos atender ao apelo! Vamos deitar fora as convenções sociais do envelhecimento e encontrar alegria, poder, graça e auto-estima em cada ruga e cabelo grisalho que aparece e em qualquer extra que poderemos carregar connosco. Vamos reconhecer a beleza dentro de nós.

Autor

Comentários

Não existem actualmente comentarios a este artigo

Comment

Insira o seu comentário abaixo. Campos marcados * são necessários. Deve previsualizar o seu comentário, antes de finalmente o inserir.





← mais velho mais recente →