#30 - Seja o exemplo moral...

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Assisti há pouco tempo a um TED Talk apresentado pelo psicólogo, professor e escritor Barry Schwartz, onde ele afirma que devemos não só seguir alguns exemplos morais, mas esforçar-mo-nos para também o sermos. Francamente, fiquei tão inspirada por esta palestra que há pouco tempo fiz referência a ela num documento que me foi pedido para um processo de candidatura. Também a mostrei a muitos dos meus alunos de EFL, individualmente ou em grupo, tanto nas empresas onde dou formação como aqui na escola. Ao longo do mês, espero que também você assista à sua palestra e se sinta inspirado pela simplicidade e pelo bom senso das suas palavras.

Na sua palestra, Barry Schwartz fez um apelo à utilização da sabedoria prática (com base nas duas componentes base da sabedoria de Aristóteles – vontade moral e habilidade moral) para a melhoria da sociedade. Alertou para o excesso de dependência de regras e incentivos sobre o uso do desejo de alguém de fazer o bem (vontade moral) e a sua sabedoria (capacidade moral) para o aplicar.

Schwartz alerta também contra o esquecimento dos exemplos morais que admirávamos na nossa juventude e dá o exemplo de Atticus Finch, O protagonista de To Kill a Mockingbird, que foi provavelmente a inspiração para muitos dos advogados de hoje em dia. De facto, tal como Schwartz apontou, seria muito difícil encontrar um jovem que tivesse decidido estudar Direito por ter um grande interesse em fusões e aquisições. Mas mais importante, Schwartz mencionou os nomes de vários auxiliares hospitalares que, pela experiência, aprenderam a aplicar a sua própria sabedoria prática, adquirida, para melhorar a assistência geral ao paciente. Citou exemplos de quando estes auxiliares foram para além da descrição das suas funções (descrição que, aliás, nem refere a interacção humana real) em pequenas coisas que fizeram grandes diferenças no atendimento dos pacientes e dos seus familiares.

Os exemplos dos auxiliares dados por Schwartz demonstraram lindamente como todos nós temos a possibilidade de aplicar a sabedoria prática nas nossas tarefas diárias. Se o nosso trabalho envolve a interacção humana a algum nível (e a maioria envolve), temos a possibilidade de ser os “heróis comuns, se não os extraordinários” do dia-a-dia. (Schwartz) Só precisamos da vontade para fazer o bem e das capacidades para o aplicar. Evidentemente precisamos de regras, mas se vivemos e trabalhamos com a noção de que temos de as seguir, independentemente se são a coisa certa a fazer, então podemos simplesmente “desligar os interruptores” dos nossos corações e cabeças. Para quê mantê-los ligados? Não deixemos (muitas vezes de forma mesquinha) que as regras nos toldem a capacidade de usar a nossa sabedoria prática.

Siga os exemplos morais da sua infância. Não os negue porque somos educados para pensar neles como coisas infantis e sem relevância para a nossa vida adulta. Se cuidássemos e seguíssemos estes heróis, estaríamos bem mais perto de conseguir incorporar a sabedoria prática que potencialmente todos temos dentro de nós. Seja o exemplo moral!

* Veja por si próprio a palestra de “Barry Schwartz’s”


Courtney How, Managing Director

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Comentários

  1. André Barros

    Adorei a mensagem.
    Parabéns.

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