#22 - O ERRO CONSTRUTIVO

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Errar é construtivo. A pessoa que realmente pensa aprende tanto com os seus erros como com os seus sucessos.

– John Dewey

FLá bem no fundo dentro de mim vive uma vozinha de julgamento que constantemente distribui juízos, de sucesso ou de falha. Bom trabalho! És um espectáculo!! Ou: No que estavas a pensar?? Falhado! Enquanto educadora considero essa voz contraproducente pois racional e intuitivamente sinto que errar é instrutivo e para além disso, não deve ser julgado de uma forma negativa mas simplesmente aceite como parte do processo de aprendizagem
como um todo.

A O grande problema na grande maioria dos sistemas educacionais actualmente é a tendência para utilizar modelos com base em testes standart, a ideia de que existe uma resposta correcta para tudo. A aprendizagem experiencial é menos valorizada que a memorização. Isto parece-me particularmente verdade aqui em Portugal onde os exames nacionais começam tão cedo quanto o 4º ano e onde as portas para uma educação superior se começam a fechar para o futuro das pessoas mais novas com base em exames nacionais ao nível do secundário. O foco muito facilmente se baseia na ideia de não falhar ao invés da aprendizagem em si mesma. Infelizmente, Portugal também tem a adversidade de não ter muitas abordagens alternativas de ensino-aprendizagem estabelecidas ou completamente suportadas pelo
Ministério da Educação.

IDe facto, a investigação mostra que os alunos se lembram muito melhor da resposta a um problema em que lhes foi dada a oportunidade de a pesquisar por si mesmo do que se a resposta lhes tiver sido fornecida. Um estudo orientado por Nate Kornell, Matthew Hays and Robert Bjork na U.C.L.A., mostrou que errar no processo de procurar uma resposta certa, pode realmente ser uma ajuda para a aprendizagem. Intuitivamente faz muito sentido. A questão é que devíamos desafiar/estimular as nossas crianças e nós mesmos no processo de ensino/aprendizagem, mais do que nos centrarmos exclusivamente no resultado.

LDeixem as nossas crianças errar. Elas sem dúvida o farão de qualquer forma, de tempo a tempo. O importante é deixá-las errar sem as julgar negativamente por isso. Explicar que não há problema falhar e celebrar com eles o que aprenderam nesse processo. De outra forma eles acabarão a meio dos seus quarentas, debatendo-se com a vozinha de julgamento que vive dentro deles. :)

“Lidamos agora no campo da educação com um entusiasmo excessivo na cultura de uma única resposta certa que pode ser assinalada no teste de escolha múltipla. Eu estou aqui para partilhar convosco que isso não é aprendizagem… dizer às crianças para nunca errar. Pedir-lhes que tenham sempre a resposta correcta não lhes permite aprender.”

- Diana Laufenberg

O meu artigo de opinião foi inspirado numa palestra TED
Aqui fica o link da palestra “TEDTALK dada por Diana Laufenberg”(Educadora na Science Leadership Academy (SLA), uma das mais recentes escolas secundárias em parceria com o Franklin Institute.)

Courtney How, Managing Director

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