#21 - GRIEF (dor, tristeza, preocupação, ...) ~

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Estou cheia de alegria e esperança, apesar da dor que sinto. Na verdade, mais até por causa disso. Estava em perda quando me sentei para escrever a primeira versão deste texto para a nossa primeira newsletter de 2013. Queria escrever algo alegre e otimista mas não conseguia encontrar um ponto de partida. Vocês sabem… tenho lamentado a perda de 20 crianças inocentes e de 6 heróicas mulheres no tiroteio de Newton, Connecticut. A ideia de estar alegre quase me parecia errada. Aquelas crianças passaram o dia na sua sala de aula com a magia do Natal nas suas mentes, planeando fazer casas de gengibre. Em vez de caminhar para a magia, elas caminharam inocentemente para a morte. A minha cabeça e coração não conseguiam contornar a brutalidade e a crueldade do massacre, ainda não consigo. Achava insuportável pensar nisso e ainda assim esse pensamento voltava constantemente.

Mas, depois de quase duas semanas a adormecer e acordar a chorar pelas vítimas e respetivas famílias, pelos pequenos sobreviventes cuja inocência foi roubada tão cedo e pelo triste estado da humanidade que tantas vezes facilita esse tipo de violência, reparei nalgumas mudanças interessantes tanto em mim própria como nos outros.

A minha relação com a minha própria filha de 4 anos parece agora mais forte do que nunca. Talvez os meus abraços fossem demasiado apertados e desesperados após o choque inicial e depois da dor da tragédia se instalar. Mas agora que transformei esse forte aperto num abraço mais suave, sinto-a muito mais do que nunca. A sua presença é constante: o cheiro dela fica comigo, a voz dela acompanha-me. Mesmo quando ela não está comigo, ela está comigo. Estou feliz por isso!

Outra mudança foi a aceitação da dor. No início senti que estava a ficar demasiado inquieta com a dor, especialmente porque não havia tido qualquer ligação pessoal com nenhuma das vítimas. Percebi que estava um pouco descontrolada quando não consegui conter as minhas lágrimas em público. Um querido amigo, que eu suspeito ter percebido a minha dor, enviou-me um link (ver abaixo) de uma palestra TED do Psicólogo Dr. Geoff Warburton, que passou mais de 25 anos a estudar o amor e a perda. Identifiquei-me imediatamente com as suas ideias e tive a certeza que que este processo de luto não era apenas normal mas também importante para a minha capacidade de me ligar comigo própria e com os outros. Deixei então as lágrimas cair onde deviam, e elas caíram. Estou feliz!

Finalmente, fiquei impressionada pela forma como a dor coletiva que abraçou os EUA e todo o mundo inspirou as pessoas a agir. As conversas e os debates começaram. As pessoas estão agora a trabalhar no sentido da mudança através de petições, redes sociais, etc. Eu própria também comecei uma petição global para exigir normas mais rigorosas no controle de armas nos EUA. (ver link abaixo).

“global petition to demand stricter gun control regulations in the U.S”.

Espero pela sua assinatura. Sinto-me despertada na nossa união e inspirada a melhorá-la.

Mais importante, ao acordar de tal tragédia, o meu coração cresceu. Por isso, eu comemoro. Por isso eu tenho esperança em 2013 e mais além.

Courtney How, Managing Director

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