#20 - De volta a Setembro...

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Em Setembro, mais de meio milhão de pessoas marcharam em Vilas e Cidades por todo o país para protestar contra o Governo e as suas medidas de austeridade. Não fiquei surpreendida ao saber que este protesto foi o maior desde o fim da ditadura em 1974. De uma forma geral, o Português nunca me pareceu ter esse espírito de protesto a que eu vinha tão habituada dos Estados Unidos.

Os protestos pacíficos foram um marco importante também por outras razões, a participação neste protesto incluiu várias camadas diferentes (novos e velhos, moderados e radicais, manifestantes experientes e estreantes), foi realmente um grito público e um aviso inequivocamente dirigido ao governo. Mas terá o governo ouvido, visto ou sentido este aviso? Sim… até certo ponto. A medida de aumento da Segurança Social que estava em cima da mesa na altura foi devidamente descartada. No entanto, terá o governo realmente ouvido a opinião pública? Acho que não. Basta olhar para as medidas que foram recentemente aprovadas para perceber que há ainda muito para ser feito pelo cidadão comum.

Talvez esteja na hora de olhar outra vez para o que tem acontecido na Grécia nos últimos anos e dar ao espírito de resistência Grego o aplauso que merece. A classificação da dívida pública Grega como “lixo” em Abril de 2010 gerou um nível de alarme tão grande nos mercados financeiros (ex: o pânico entre os impérios mais ricos) que deixou os mercados de capitais privados indisponíveis para a Grécia enquanto fonte de financiamento. Apesar do facto de que, em 2010, o défice Grego era de 11%, semelhante ao da América, foi negada ao Governo de Papandreou a possibilidade de contrair empréstimos no Mercado de Capitais Internacional. Havia sido efetivamente bloqueado pelas agências de Rating Americanas, as mesmas que tinham primeiramente reduzido o status da Grécia a “Lixo”; ironicamente, as mesmas que deram avaliações de AAA a biliões de Dólares em Títulos Hipotecários que inevitavelmente precipitaram o colapso económico em 2008. Agora pergunto eu, o que há de errado deste cenário?

Os Gregos foram menos complacentes com a pressão do corporativismo corrupto da EU, FMI e Bancos Europeus. John Pilger argumentou em 2010 que, pela história recente de “invasão, ocupação estrangeira, ditadura militar e resistência popular”, os Gregos “sabem perfeitamente quem é o inimigo e consideram-se novamente sob ocupação estrangeira.” (Pilger) Os Gregos têm-se insurgido contra este inimigo real e, consequentemente, são odiados pelo FMI, Bancos Europeus e Estados mais fortes da União Europeia que pretender continuar a permitir o desmoronamento do bem-estar social existente na Grécia e outros países economicamente mais fracos… como Portugal.

Infelizmente, estas poderosas entidades são peritas em propaganda e em dar a volta e têm tido muito sucesso conseguindo que as pessoas comuns acreditem naquilo que eles querem. No caso da Grécia, muitos cidadãos comuns espalhados pelo mundo acreditam que deve sofrer as consequências de ter o que Helena Smith (Observer) chamou de “Sector Público Inchado” e “Cultura de cantos de corte.” Culpar o público médio apenas alimenta a injusta noção de que o cidadão comum terá de pagar as dívidas que os ricos e os poderosos criaram.

Portugal tem vindo a aceitar silenciosamente o que a Troika nos tem vindo a servir… até há pouco tempo. Na minha opinião, Setembro marcou um ponto de viragem apesar da aparente calma. A panela está a chiar, será que vai ferver? Esperemos que sim, por uma verdadeira mudança

Courtney How, Managing Director

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