#18 - Aprender Inglês pela Literatura

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O mês passado escrevi sobre a importância das capacidades produtivas na aprendizagem de línguas como um método essencial de comunicação. As capacidades produtivas (falar e escrever) são capacidades funcionais. Servem um propósito. Perguntem a qualquer Português que viaje diariamente na linha Lisboa/Sintra da CP. Muitos deles poderiam dizer-lhe o quanto aprender Inglês com base em necessidades práticas veio “mesmo a calhar”. Uma boa parte certamente já tentou explicar (em Inglês) a alguns turistas confusos e de olhos arregalados, Britânicos ou Americanos (ou outros turistas a usar o Inglês como base de comunicação) em que paragem mudar para que os cordeiros perdidos não vão parar a Mira Sintra – Meleças em vez da maravilhosa e tourist-friendly Sintra. Então, capacidades produtivas são funcionais e como tal, muito importantes. No entanto, desenvolver outras capacidades como as interpretativas é também muito importante na aprendizagem de línguas.

Devido a um foco muito grande na funcionalidade, os programas de ensino do Inglês não têm sido grandes defensores da inclusão da Literatura (especificamente literatura escrita em inglês). A atitude geral dos professores é muitas vezes “a literatura é muito difícil para os alunos de 2ª e 3ª língua”, ou pior, “qual é a vantagem, para que preocupar-me sequer?”. Infelizmente, como acontece com muitos métodos e estratégias de ensino, um foco desproporcional em resultados objetivos (ex.: dar indicações de direção) mais do que em opiniões mais subjetivas (ex.: sentido subjacente de um texto) colocou a literatura nos bancos de trás nas salas de inglês. Na realidade, muitas vezes não tem mesmo lugar, de todo! Foi apenas a partir dos anos 80 que esta área começou a ter mais atenção nas comunidades de ESL/EFL.

Felizmente, a utilização da literatura como ferramenta de aprendizagem nas aulas de ESL está a tornar-se um comum. Na verdade há vários modelos que os Formadores / Professores podem seguir ao utilizar literatura nas suas aulas

O modelo cultural vê as peças literárias como fontes de informação relativa à cultura em estudo. Este modelo analisa não só o contexto social, político e histórico da peça, como os movimentos e géneros literários em torno dela. O trabalho específico da linguagem baseado no texto não é normalmente considerado. Esta abordagem tende a ser muito centrada no professor.

Tanto o modelo da língua como o modelo de crescimento pessoal tendem a centrar-se mais no aluno. O modelo da língua foca a atenção do aluno na forma como a língua é usada, aumentando assim a sua sensibilidade para o Inglês. A gramática geral e o vocabulário podem ser facilmente explorados, bem como o estudo das características linguísticas (também conhecido como análise de estilo). Um olhar mais atento sobre as características linguísticas do que o aluno está a ler, incita o aluno a fazer a interpretação do significado do texto. Este método é uma boa alternativa à rigidez das habituais análises de texto do livro de curso, uma vez que expõe o aluno a abordagens à língua mais subtis e criativas.

O modelo de crescimento pessoal incentiva o aluno a fazer uso das suas próprias opiniões, sentimentos e vivências. Promove a interação entre o texto e o leitor, em inglês, dando mais significado à língua. Este modelo é particularmente adequado a grupos de alunos que gostem de discutir.

A velha desculpa de que é demasiado difícil utilizar a literatura nas aulas de ESL/EFL deixa de ter qualquer validade agora que os readers (versão simplificada de obras literárias) são tão abundantes. Todo e qualquer grupo de qualquer nível pode agora utilizar a literatura como uma forma criativa e benéfica de melhorar a aprendizagem de línguas. Assim, para todos os Formadores/Professores espalhados por ai…criem uma biblioteca de romances e readers nas várias línguas que ensinam e desfrutem dela, vocês e os vossos alunos.

Courtney How, Managing Director

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