#15 - Summertime and the Living…

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NÃO ESTÁ FÁCIL. os peixes não estão a saltar.. Na verdade, o bacalhau está neste momento na lista de espécies em perigo de extinção e a única coisa que está em alta são os impostos que nós estamos a pagar. Pode parecer algo mais desesperante do que qualquer outra coisa, especialmente quando pensamos que 1 em cada 3 jovens abaixo dos 25 anos estão desempregados, que as pequenas empresas estão a fechar (e a um ritmo alucinante), ou quando pensamos em todas as medidas de Austeridade, aplicadas ao abrigo do plano de resgate da Troika, a que vamos resistindo. Penso que o poema de Robert Hayden’s“Summertime and the Living…”é provavelmente um pouco mais adequado que a música de Gershwin“Summertime”no calor desta crise económica.

No seu poema, Hayden brinca com a ideia apresentada na música de Gershwin… a ideia de que o Verão é tempo de lazer e plenitude. Hayden contrapõe essa noção com uma visão mais realista, na condição de homem pobre. No entanto, este poema também não é apenas ruína e tristeza. O homem no poema viveu entre “pessoas pobres” (alusivo ao Sul dos EUA), “… tão abatidos depois de cada infindável dia que passavam irados.” Apesar do fecto de ele ter visto os “degraus partidos” e o “vidro estilhaçado” do mundo economicamente deprimido de onde ele vem, ele também o celebra num sentido comum de ligação. Esta ligação é demonstrada, não em rosas (“… ninguém plantou rosas…”), mas na ousadia dos girassóis, na vivacidade das crianças, e na “… malícia tolerante…”. O poema é ao mesmo tempo triste e de celebração, e é neste sentido de celebração que está o confo

Estando desiludida por muito do que está a acontecer no mundo hoje em dia, tenho dificuldade em comprar o ponto de vista de Gershwin, especialmente a parte que diz “… nada pode prejudicá-lo…”. Há muita coisa que nos pode e está a prejudicar. No entanto, encontrar um escape para a incessante austeridade é o que todos precisamos e parece que a música encontrou o seu lugar entre muitos dos jovens Portugueses. A popular banda Deolinda, na sua música “Parva que sou”. ”, olha para um futuro cada vez mais sem esperança que os jovens estão destinados a enfrentar. A letra “Sou da geração sem remuneração…” diz tudo. Bem… quase tudo.

O que eu penso que é importante aqui é que nós não negamos a nossa frustração sobre as circunstâncias actuais ou a nossa ansiedade relativamente ao que o futuro nos reserva, mas que também tiramos tempo para continuar a ver a beleza à nossa volta quer seja gozando uma tarde de praia, aproveitando o nosso tempo com quem mais importa para nós, ou sentados no nosso próprio “campo de girassóis” lendo ou escrevendo um pouco de poesia. Não precisamos de “florear” as coisas, mas temos de encontrar as “flores” (sejam elas as flexíveis e delicadas pétalas de rosas ou os “resistentes e ousados” girassóis) no nosso dia-a-dia, é aí que vamos encontrar a esperança e o conforto.

Nota: algumas expressões foram retiradas do poema e/ou da música referidas, pelo que recomendamos que leia e/ou escute os mesmos seguindo os links acima disponibilizados.

Courtney How, Managing Director

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